{"id":826,"date":"2021-06-18T14:58:00","date_gmt":"2021-06-18T15:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/radioinsular.pt\/?p=826"},"modified":"2021-06-18T14:58:05","modified_gmt":"2021-06-18T15:58:05","slug":"varios-tubaroes-de-alto-mar-avistados-ao-largo-dos-acores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radioinsular.pt\/index.php\/2021\/06\/18\/varios-tubaroes-de-alto-mar-avistados-ao-largo-dos-acores\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios tubar\u00f5es de alto-mar avistados ao largo dos A\u00e7ores"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Atrav\u00e9s de uma expedi\u00e7\u00e3o da OceanX, alguns cientistas est\u00e3o a ter uma vis\u00e3o sem precedentes sobre a vida dos misteriosos tubar\u00f5es-albafar, predadores de topo que podem atingir os seis metros de comprimento.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>OCEANO ATL\u00c2NTICO NORTE \u2013<\/strong>\u00a0Um cardume de carapaus prateados e peixe-pau laranja gira em torno de um submers\u00edvel no fundo do mar, a 235 metros de profundidade, ao largo do arquip\u00e9lago dos A\u00e7ores.<\/p>\n\n\n\n<p>No interior do submers\u00edvel, os cientistas marinhos\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Jorge-Fontes-2\" target=\"_blank\">Jorge Fontes<\/a>\u00a0e\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.melissacristinamarquez.com\/\" target=\"_blank\">Melissa Cristina M\u00e1rquez<\/a>, assim como o piloto do aparelho, Lee Frey, esperam pacientemente. Atrav\u00e9s desta torrente de peixe, os investigadores esperam ter um vislumbre do maior predador de alto-mar \u2013 o\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.floridamuseum.ufl.edu\/discover-fish\/species-profiles\/hexanchus-griseus\/\" target=\"_blank\">tubar\u00e3o-albafar<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para agrado dos cientistas, uma figura enorme emerge da escurid\u00e3o e se aproxima do submers\u00edvel: uma f\u00eamea com 5,5 metros, o primeiro avistamento da expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes\u00a0<a href=\"https:\/\/www.natgeo.pt\/video\/tv\/factos-sobre-tubaroes\">tubar\u00f5es<\/a>, dos quais tr\u00eas esp\u00e9cies vivem pelo mundo inteiro, s\u00e3o diferentes de quaisquer outros. Os tubar\u00f5es-albafar t\u00eam seis guelras em vez das cinco habituais. Estas criaturas antigas \u2013 que exibem um tom de pele castanho-azeitona, barbatanas dorsais min\u00fasculas e olhos esmeralda assustadores.<a href=\"https:\/\/disneyplus.com\/series\/genius\/4xWSZ1ShVhAw?cid=DTCI-Synergy-NatGeoPartners-Site-Acquisition-PTSustain-PT-NatGeo-GENIUS-PT-ArticleLink-natgeo.pt_In_ArticleBanner_Genius-Aretha-GENIUS\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Por muito incitantes que sejam, os cientistas ainda sabem pouco sobre estes predadores de alto-mar. A Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza lista o tubar\u00e3o-albafar como\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.iucnredlist.org\/species\/10030\/495630\" target=\"_blank\">quase amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o<\/a>, embora os dados sejam extremamente escassos. Isto acontece porque o estudo destes tubar\u00f5es n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil: os cientistas podem apanh\u00e1-los com redes e ganchos e pux\u00e1-los para a superf\u00edcie, mas a experi\u00eancia pode ser traum\u00e1tica para os animais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, em 2019, cientistas da Universidade Estadual da Fl\u00f3rida, do Museu de Hist\u00f3ria Natural da Fl\u00f3rida, do Instituto Cape Eleuthera e da&nbsp;<a href=\"https:\/\/oceanx.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">OceanX<\/a>&nbsp;\u2013 uma iniciativa de explora\u00e7\u00e3o do oceano estabelecida por Ray Dalio e o seu filho Mark Dalio \u2013 encontraram uma forma menos invasiva de estudar os tubar\u00f5es-albafar: etiquetar&nbsp;os animais onde vivem, a centenas de metros de profundidade. A OceanX forneceu um submers\u00edvel equipado com arp\u00f5es modificados que injetam uma etiqueta de sat\u00e9lite na pele grossa dos tubar\u00f5es. Depois de muita tentativa e erro, esta equipa conseguiu fixar uma etiqueta num tubar\u00e3o-albafar ao largo das Bahamas.<\/p>\n\n\n\n<p>O sucesso da expedi\u00e7\u00e3o nas Bahamas dinamizou as investiga\u00e7\u00f5es sobre tubar\u00f5es-albafar. No dia 3 de junho, uma equipa da OceanX a bordo do seu navio de investiga\u00e7\u00e3o, o<em>&nbsp;<a href=\"https:\/\/oceanx.org\/oceanxplorer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">OceanXplorer<\/a><\/em>, zarpou para uma expedi\u00e7\u00e3o ao largo dos A\u00e7ores, no Oceano Atl\u00e2ntico Norte, trabalhando com cientistas locais para colocar etiquetas de sat\u00e9lite e c\u00e2maras na grande popula\u00e7\u00e3o de tubar\u00f5es-albafar que vive entre os desfiladeiros e montes subaqu\u00e1ticos que rodeiam as ilhas do arquip\u00e9lago. (<a href=\"https:\/\/www.natgeo.pt\/animais\/2018\/07\/seis-tubaroes-fascinantes-dos-quais-provavelmente-nunca-ouviu-falar\"><em>Descubra seis tubar\u00f5es fascinantes dos quais provavelmente nunca ouviu falar<\/em><\/a>.)<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa verdade, ainda sabemos muito pouco sobre os tubar\u00f5es-albafar\u201d, diz Melissa M\u00e1rquez, bi\u00f3loga marinha da Universidade Curtin, na Austr\u00e1lia Ocidental. \u201cPortanto, colocar [mais etiquetas nos A\u00e7ores] vai lan\u00e7ar alguma luz sobre estes animais que realmente dominam esta parte dos nossos oceanos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>A investiga\u00e7\u00e3o sobre os tubar\u00f5es-albafar ser\u00e1 apresentada na s\u00e9rie OceanXplorers da National Geographic, com produ\u00e7\u00e3o executiva de James Cameron, da Unidade de Hist\u00f3ria Natural dos Est\u00fadios da BBC e da OceanX.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, a expedi\u00e7\u00e3o j\u00e1 avistou muitos mais tubar\u00f5es-albafar do que se esperava, afirma Jorge Fontes, da Universidade dos A\u00e7ores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAntigamente, quando pesc\u00e1vamos estes animais para colocar etiquetas, apanh\u00e1vamos basicamente um ou dois animais por noite, mas aqui estamos a ter 10, 11 encontros por noite\u201d, diz Jorge. \u201cIsto sugere que este ecossistema espec\u00edfico \u00e9 saud\u00e1vel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Ferramentas corretas para o trabalho<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Para rastrear tubar\u00f5es-albafar, os cientistas a bordo do&nbsp;<em>OceanXplorer&nbsp;<\/em>\u2013 um antigo navio de suporte de perfura\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo com 86 metros de comprimento \u2013 t\u00eam \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o dois submers\u00edveis, um ve\u00edculo operado remotamente e um navio de pesquisa equipado com dispositivos que conseguem examinar a coluna de \u00e1gua e mapear o fundo do mar.<\/p>\n\n\n\n<p>O seu objetivo durante a expedi\u00e7\u00e3o de uma semana \u00e9 equipar o maior n\u00famero poss\u00edvel de tubar\u00f5es-albafar com dois tipos de etiquetas. Uma das etiquetas \u00e9 de sat\u00e9lite e tem uma vida \u00fatil de nove meses, e vai documentar os movimentos verticais do tubar\u00e3o, e a outra \u00e9 uma etiqueta com c\u00e2mara que consegue n\u00e3o s\u00f3 filmar um tubar\u00e3o durante um per\u00edodo de 8 a 12 horas, mas tamb\u00e9m rastrear a sua localiza\u00e7\u00e3o, velocidade, profundidade e temperatura ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas as etiquetas est\u00e3o fixas nas pontas de arp\u00f5es montados na frente do submers\u00edvel de investiga\u00e7\u00e3o. Como os tubar\u00f5es-albafar t\u00eam uma pele muito grossa, etiquetar os animas desta forma \u00e9 minimamente invasivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez um dos comportamentos mais misteriosos dos tubar\u00f5es-albafar sejam as suas visitas a \u00e1guas rasas, apesar de passarem a maior parte do tempo em profundidades de at\u00e9 1.370 metros.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tubar\u00f5es-albafar provavelmente visitam as \u00e1guas rasas ao largo dos A\u00e7ores, a pouco mais de 1.290 quil\u00f3metros de Portugal, para se alimentarem, mas preferem passar o tempo em \u00e1guas profundas, onde as temperaturas s\u00e3o mais frescas, afirma Jorge.<\/p>\n\n\n\n<p>Com as estimativas a apontarem para um aquecimento do Oceano Atl\u00e2ntico de pelo menos&nbsp;<a href=\"https:\/\/assets.publishing.service.gov.uk\/government\/uploads\/system\/uploads\/attachment_data\/file\/639430\/Ocean_warming_final.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">1.5 graus Celsius at\u00e9 2050<\/a>, \u00e9 poss\u00edvel que os tubar\u00f5es-albafar n\u00e3o consigam tolerar as temperaturas da \u00e1gua em \u00e1guas rasas, afetando a sua capacidade de alimenta\u00e7\u00e3o, acrescenta Jorge, que estuda tubar\u00f5es h\u00e1 mais de 15 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVai ser muito interessante analisar os dados que obtivermos destas etiquetas, porque vamos poder compar\u00e1-los com os dados de colegas de outras partes do mundo com quem estamos a colaborar\u201d, diz Jorge.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 algo que nos poder\u00e1 ajudar a compreender os impactos que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e o aquecimento dos oceanos podem ter sobre a distribui\u00e7\u00e3o destes animais e, eventualmente, das suas presas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Um mar repleto de tubar\u00f5es<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, a equipa da OceanX A\u00e7ores est\u00e1 entusiasmada com a quantidade de tubar\u00f5es que encontrou. N\u00e3o \u00e9 por acaso que os tubar\u00f5es-albafar prosperam nos A\u00e7ores, diz&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Pedro-Afonso-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pedro Afonso<\/a>, que tamb\u00e9m estuda tubar\u00f5es na Universidade dos A\u00e7ores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pesca na regi\u00e3o foi sempre em pequena escala, e a Uni\u00e3o Europeia proibiu a pesca de tubar\u00f5es em alto-mar em 2012\u201d, diz Pedro. \u201c\u00c9 por isso que podemos colocar um submarino aqui e ver uma d\u00fazia de tubar\u00f5es.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.calacademy.org\/scientists\/ichthyology\/debert\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">David Ebert<\/a>, diretor do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o de Tubar\u00f5es do Pac\u00edfico dos Laborat\u00f3rios Marinhos de Moss Landing, na Calif\u00f3rnia, diz que est\u00e1 ansioso para ver como \u00e9 que os padr\u00f5es de movimento dos tubar\u00f5es-albafar dos A\u00e7ores se comparam com os dos tubar\u00f5es-albafar de outras partes do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, os cientistas&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0967064514001222\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">recolheram dados<\/a>&nbsp;sobre tubar\u00f5es-albafar no Havai, nas Bahamas e no Golfo do M\u00e9xico, permitindo comparar as distribui\u00e7\u00f5es verticais destes tubar\u00f5es em diferentes latitudes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEtiquetar um s\u00f3 tubar\u00e3o n\u00e3o vai realmente dizer muito, exceto o que esse tubar\u00e3o em espec\u00edfico faz ao longo de um determinado per\u00edodo de tempo\u201d, diz David, que n\u00e3o est\u00e1 envolvido nos esfor\u00e7os da OceanX.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cContudo, se tivermos v\u00e1rios tubar\u00f5es etiquetados, isso pode dizer-nos muito sobre os seus movimentos e comportamento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>De regresso ao submers\u00edvel, Jorge Fontes e Melissa M\u00e1rquez preparam-se para voltar \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de seis horas, os investigadores viram sete tubar\u00f5es-albafar, dois tubar\u00f5es&nbsp;<em>Dalatias licha<\/em>&nbsp;e dois tubar\u00f5es&nbsp;<em>Galeorhinus galeus<\/em>&nbsp;\u2013 um feito impressionante, mesmo para cientistas num submarino. Os investigadores n\u00e3o conseguiram etiquetar qualquer tubar\u00e3o neste mergulho, mas ainda tinham muitas noites pela frente para tentar novamente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi um pouco surreal\u201d, diz Melissa, \u201cter a oportunidade de nos sentarmos e ver a vida l\u00e1 em baixo a comportar-se naturalmente. Foi um enorme privil\u00e9gio.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atrav\u00e9s de uma expedi\u00e7\u00e3o da OceanX, alguns cientistas est\u00e3o a ter uma vis\u00e3o sem precedentes sobre a vida dos misteriosos tubar\u00f5es-albafar, predadores de topo que podem atingir os seis metros de comprimento. OCEANO ATL\u00c2NTICO<\/p>\n<div class=\"blog-buttons\"><a href=\"https:\/\/radioinsular.pt\/index.php\/2021\/06\/18\/varios-tubaroes-de-alto-mar-avistados-ao-largo-dos-acores\/\" class=\"more-link\">Read More<\/a><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":827,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":""},"categories":[16],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/radioinsular.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-4666748.jpeg",1002,636,false],"thumbnail":["https:\/\/radioinsular.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-4666748-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/radioinsular.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-4666748-300x190.jpeg",300,190,true],"medium_large":["https:\/\/radioinsular.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-4666748-768x487.jpeg",768,487,true],"large":["https:\/\/radioinsular.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-4666748.jpeg",1002,636,false],"1536x1536":["https:\/\/radioinsular.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-4666748.jpeg",1002,636,false],"2048x2048":["https:\/\/radioinsular.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-4666748.jpeg",1002,636,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"R\u00e1dio Insular","author_link":"https:\/\/radioinsular.pt\/index.php\/author\/nsl9wvrix1\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Atrav\u00e9s de uma expedi\u00e7\u00e3o da OceanX, alguns cientistas est\u00e3o a ter uma vis\u00e3o sem precedentes sobre a vida dos misteriosos tubar\u00f5es-albafar, predadores de topo que podem atingir os seis metros de comprimento. 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